domingo, 12 de maio de 2013

Helena Petrovna Blavatsky







Helena Petrovna von Han, a esotérica que ficou conhecida como H.P. Blavatsky ou Madame Blavatsky, nasceu na cidade de Ekaterinoslav, sul da Rússia, atual Ucrânia, em 12 de agosto de 1831, filha do coronel Peter von Han e da famosa novelista da época, Helena de Fadeyev. As primeiras horas de vida da futura ocultista e paranormal pareciam anunciar seu destino incomum: recém-nascida, era tão fraca que foi desenganada. O batizado foi providenciado apressadamente para evitar que a criança morresse pagã e a cerimônia foi marcada por acidente, considerado mau agouro:
Na Rússia ortodoxa, a cerimônia de batismo era pomposa: velas acesas nas mãos de todos os participantes, vários pares de padrinhos e madrinhas. As pessoas tinham de ficar em pé durante todo o rito batismal, sem poder sentar. ...A tia do bebê, que era uma criança pequena, cansada de ficar de pé por quase uma hora, sentou-se no chão... A cerimônia estava quase no final, os padrinhos fazendo o ato de renúncia ao Demônio e seus atos ─ renúncia enfatizada na Igreja Ortodoxa por três cusparadas sobre o inimigo invisível ─ quando a menininha, brincando com a vela acesa, inadvertidamente incendiou as longas vestes do sacerdote. Várias pessoas, especialmente o sacerdote, acabaram seriamente queimadas. [CALDWELL, p 20]
Quando Helena tinha 11 anos, em 1842, sua mãe morreu. Ela e os irmãos, Vera e Leonid, foram morar com os avós maternos, em Saratov; o avô, general André Mikaelivitch Fadeyev [ou Fadeef], era governador de província e a avó, Princesa Helena Dolgorukov, era botânica e escritora. A mansão dos avós, enorme construção do século XVIII, tinha uma atmosfera de mistério: galerias subterrâneas, passagens abandonadas, inúmeros recantos e esconderijos; lugares onde a menina se escondia quando queria fugir da disciplina doméstica. Não raro, se perdia naqueles labirintos mas dizia que não tinha medo porque jamais ficava sozinha: tinha a companhia de estranhas criaturas às quais chamava "corcundinhas".
Ainda assim, era muito nervosa: tinha ataques de riso, de eloqüência, era sonâmbula e as vezes dizia-se perseguida pelos "terríveis olhos brilhantes". Definitivamente, Blavatsky não foi uma criança normal. Teve uma educação esmerada, com rica biblioteca à sua disposição: devorava os livros. Era inteligente: aprendia outros idiomas com facilidade, tocava piano muito bem, pintava com maestria, era uma amazona destemida que montava cavalos poderosos usando cela masculina.
Desde cedo, também demonstrava seus poderes ocultos, ainda crus, sem controle, como a clarividência ─ faculdade inspiradora das incríveis histórias de eras passadas que contava a adultos e crianças ─  a telecinese com a qual movia objetos com a mente e produzia pancadas, a telepatia, comunicação à distancia através do pensamento e leitura do pensamento de terceiros e o mesmerismo [capacidade de hipnotizar pessoas e animais]. Ainda na infância, tinha visões de um homem de feições orientais que, mais tarde, revelou-se como seu mestre espiritual, um Mahatma[grande espírito], Irmão da Fraternidade Branca, Mestre Morya.

Casamento

A jovem não se preocupava em casar porém, geniosa como era, foi desafiada: uma ama ou dama de companhia afirmou que com aquele temperamento a moça jamais casaria e apontando um velho e feio amigo da família, Nicephoro V. Blavatsky, a quem Helena chama de "corvo sem penas", disse que nem mesmo ele a aceitaria como esposa [na verdade Nicephoro tinha cerca de três vezes a idade dela, algo em torno de 51 anos]. Assim instigada e sem pensar no que fazia a moça dirigiu-se àquele senhor e conversou com ele poucos minutos. Três dias depois ele fez o pedido de casamento. O pai consentiu e não houve como escapar. O casamento foi realizado em 1848; outras fontes indicam a data de 07 de julho de 1849; ela tinha 17 anos.
Consta que a união jamais foi consumada [no sentido bíblico da expressão]. Três meses depois ela fugiu do abrigando-se com os avós que a enviaram à casa do pai. No caminho, temendo ser obrigada a voltar para o marido, fugiu de novo e, desta vez, abandonou a Rússia dando início à grande aventura que foi sua vida. Durante dez anos viajou pelos mais diferentes e remotos lugares do mundo: Ásia Central, Índia, América do Sul, África, Leste Europeu, Turquia, Egito, Grécia, México, Ilha de Java, entre outros. Apesar do escândalo, o pai não a desamparou e patrocinou suas viagens providenciando regulares remessas de dinheiro. Daquele casamento ela conservou apenas o nome com o qual tornou-se famosa e somente voltou à Rússia depois que a separação foi legalizada.
* Este casamento de Blavatsky é objeto de controvérsia entre os biógrafos. Um bom apanhado das diferentes versões pode ser encontrado no artigo de Marina Cesar Sisson, Novas Luzes Sobre o Primeiro Casamento de HPB, disponível on-line em BLAVATSKY.NET. No mesmo site, há outro artigo, da mesma autora, sobre um suposto filho! de HPB, Yuri, um tema pouquíssimo comentado pelos que conhecem, em linhas gerais, a vida ocultista: HPB Com Seu Filho Yuri.

Aventuras e Treinamento Esotérico

Em 1851, aos 20 anos, H.P. Blavatsky estava em Londres onde, finalmente, teve seu primeiro encontro, no plano físico, com o Mestre Morya, aquele que aparecia em suas visões de infância. Soube, então, que ele era um Iniciado oriental, um indiano nascido no clã dos Rajput, descendente de uma dinastia de guerreiros. Sobre este episódio, a condessa Constance Wachtmeister escreveu:
Em Londres, em 1851, andando um dia na rua viu um homem indiano alto ao lado de uma princesa também indiana. Imediatamente o reconheceu como a entidade astral que sempre a acompanhava. Seu primeiro impulso foi correr até ele para conversar, mas o homem lhe fez um sinal para que não se aproximasse... No dia seguinte, Helena foi ao Hyde Park para um passeio solitário... quando viu o homem do dia anterior se aproximando. Foi então que seu Mestre lhe disse [que] ...queria muito encontrar Helena pessoalmente porque precisava pedir sua cooperação num trabalho que precisava ser implantado. Explicou que uma sociedade teosófica estava para ser formada e gostaria que ela fosse a fundadora... Disse que ela teria de passar três anos no Tibete para ser preparada para essa importante missão [CALDWELL, p 31].
Naquele mesmo ano [1851] ela empreendeu novas viagens. Em 1854, nos Estados Unidos, cruzou as Montanhas Rochosas em um carroção de imigrantes.Em 1855, foi para a Índia, via Japão [que mulher!] e conseguiu entrar no Tibete [era a segunda vez que tentava; na primeira, 1852, fracassou]. Ali, sob a orientação do Mestre Morya, durante três anos, foi adequadamente treinada e iniciada no teoria e na prática das ciências ocultas. Entre 1860 e 1865, novamente viajando, desta vez pelo Cáucaso, passou por uma séria crise física e psíquica que, uma vez superada, resultou no domínio completo de seus poderes paranormais. Em 1865, em carta para sua irmã, Vera P. de Zhelihovsky, Blavatsky comenta: "Agora, não estarei mais sujeita a influências externas".

Estranha Doença

Como foi mencionado,  Blavatsky passou um período com a saúde abalada. Aparentemente, tudo começou durante uma viagem uma viagem, nas estepes asiáticas, onde sofreu um ferimento grave na altura do coração [segundo ela mesma, um golpe  de sabre]. Sobre ferimentos que sofreu em suas aventuras, consta, ainda, que na Itália, filiada à associação carbonária em 1856, lutou ao lado de Garibaldi, em Viterbo, e  depois, em Montana, onde foi ferida tantas vezes que foi dada como morta no campo de batalha [CARDILLO, p 10]. Mas  aquele ferimento no peito não se curava totalmente. A chaga se abria e, então, ela tinha convulsões e entrava em estado de transe comatoso. Este estado durava entre três e quatro dias ao fim dos quais a ferida fechava espontaneamente sem deixar seqüelas.
Em 1859, quando estava na Rússia, morando, em uma casa de campo, com o pai e a irmã, Vera, que desconheciam os detalhes do problema, ocorreu umas crises. O médico foi chamado mas antes que pudesse examinar a paciente: "... viu uma mão grande e escura colocar-se entre entre a sua e o ferimento que ia costurar... aquela mão movia-se vagarosamente, a intervalos, do pescoço até a cintura. Para piorar mais as coisas, começou a ser ouvido no quarto um barulho terrível, um verdadeiro caos de sons e ruídos vindos do teto, do piso, das vidraças e de todas as peças do mobiliário do apartamento. O médico, apavorado, implorou para não ser deixado sozinho com a paciente" [CALDWELL, p 36].
No mesmo período, independente da questão do ferimento, ela sucumbia em estado de semiconsciência e uma febre branda a consumia. Nada comia ou bebia. Chegou a passar uma semana sem se alimentar. Em quatro meses, ficou cadavérica. Quando recobrava os sentidos, dizia que era tomada por um "outro eu" que sequer conhecia H.P. Blavatsky. O "outro eu", vivia em um país distante.
Uma dessas ausências aconteceu em Ozorgeti, vila militar da Migrelia, onde ela tinha comprado uma casa. Era uma cidade pequena e sem recursos. O médico local, impotente diante da estranha moléstia, decidiu enviá-la para Tiflis, onde poderia ser diagnosticada e tratada. O transporte foi feito pelo rio, estreito, cercado de densa mata. Acompanharam-na empregados nativos que testemunharam, aterrorizados, cenas extraordinárias. Blavatsky saía da embarcação e deslizava sobre a água rumo à floresta. Todavia, seu corpo continuava prostrado no barco. É de se supor que viam o deslocamento do corpo astral da doente.

Fracasso no Egito

No outono de1865 ela retomou suas viagens: Balcãs, Grécia, Egito, Síria, Itália. Em 1868, estava novamente no Tibete onde ficou hospedada com outro Mestre Iniciado, Koot Hoomi. Em 1871, na Grécia, embarcou em um navio com destino ao Egito. O navio naufragou. Ela escapou do naufrágio e se estabeleceu no Cairo onde tentou fundar uma Sociedade Espírita, iniciativa que fracassou vergonhosamente sob acusação de produzir fenômenos de forma fraudulenta. Blavatsky justificou o episódio atribuindo os truques, grosseiros, a membros da Sociedade que agiam de má fé. Em 1872, ela deixou o Cairo.

Nova Iorque

Em 1873, H.P. Blavatsky chegou a Nova Iorque onde começaria uma nova fase de sua trajetória no Ocultismo. Fase marcada por um trabalho mais sistemático na divulgação da Doutrina Secreta. Já famosa em seu próprio pais e em toda a Europa, seu prestígio e também o número de seus admiradores e opositores expandiram-se na metrópole norte-americana. A fama foi conquistada não somente pelos comentários das muitas pessoas que, até então, haviam testemunhado os prodígios que realizava mas, também, porque Blavatsky foi uma jornalista: obtinha parte de seus recursos escrevendo artigos e ensaios sobre temas ocultistas, relatos sobre países exóticos, suas viagens e temas da vida russa.
No primeiro período que passou em Nova Iorque, Madame Blavatsky passou por muitos endereços. Logo em sua chegada, ficou sem dinheiro. O pai falecera e os trâmites legais relativos à herança suspenderam temporariamente as remessas. Ela foi morar em uma comunidade de "mulheres trabalhadoras respeitáveis", casa n°222, Madison Street. Quando a situação financeira foi regularizada, mudou-se para a esquina da rua 14 com a avenida  4. Entretanto, rapidamente, gastou todo dinheiro da herança. Madame era assim: quando muito tinha, muito gastava, proporcionando-se luxos; quando a bolsa ficava vazia, adotava hábitos modestos e mudava-se para lugares mais baratos.Blavatsky

HPB Encontra H.S. Olcott ─ 1874

O coronel Henry Steele Olcott, advogado e militar muito honrado pela sua participação na Guerra Civil, foi o grande companheiro de H.P. Blavatsky, co-fundador da Sociedade Teosófica. Estudioso do Espiritismo, Olcott conheceu Blavatsky em Chittenden, estado de Vermont, numa fazenda chamada Hospedaria Eddy, onde estavam ocorrendo fenômenos espantosos: materialização de formas fantasmagóricas, conforme vinha sendo divulgado no periódico Banner Light. As aparições, sensacionais, atraíam muitos visitantes. Olcott foi ao local e lá ficou quatro dias.
De volta a Nova Iorque, escreveu um artigo que foi publicado no New Iorque Sun. O artigo fez muito sucesso e o pesquisador foi convidado por outro jornal, o New Iorque Daily Graphic para fazer uma série de reportagens sobre o tema. Olcott voltou à Hospedaria Eddy e ali encontrou Madame que, atraída pelas reportagens, foi ver de perto os tais fenômenos. Ela fez mais do quer ver: depois de sua chegada, os fenômenos ganharam um novo colorido porque ela mesma produziu fenômenos: "Até o momento em que HPB apareceu em cena, as figuras que se mostravam ali eram de índios pele-vermelha, americanos ou europeus parecidos com os visitantes. Mas na primeira noite de sua chegada, figuras de outras nacionalidades começaram a se mostrar... Havia um jovem servo georgiano do Cáucaso, um mercador muçulmano de Tiflis, uma camponesa russa e outros" [CALDWELL, p 59].
Em Nova Iorque, Olcott procurou Blavatsky, que estava morando em Irving Place, nº16. Com ela, o coronel transpôs os limites do espiritismo kardecista e conheceu os filósofos orientais, o budismo e a existência dos adeptos [os Mahatmasou Irmãos do Himalaia]. Mais tarde, foi adotado como discípulo pelo Mestre Koot Hoomi.

Sociedade Teosófica & Ísis Sem Véu

Em 17 de novembro de 1875, Blavatsky, Olcott e William Q. Judge fundaram oficialmente a Sociedade Teosófica sendo Olcott o presidente, Judge o conselheiro e Blavatsky, secretária para correspondências. Entre os objetivos da Sociedade destacam-se: estudo comparativo das religiões, filosofias e ciências de todo o mundo e todas as culturas;  investigação dos fenômenos inexplicáveis da Natureza. A idéia de formar a Sociedade foi de Olcott porém ele desconfiava que a inspiração fora "colocada" em sua mente porque no livro de anotações de HPB havia um escrito de julho de 1875 onde a ocultista registrou: "Ordens recebidas da Índia são de estabelecer uma sociedade filosófico-religiosa e escolher um nome para ela também escolher Olcott" [CALDWELL, p 76].
Ainda em 1875, poucos meses antes da fundação da Sociedade Teosófica, Blavatsky começou a redigir Ísis Sem Véu[Isis Unveiled]. Na época, morava em Irving Place, rua 34, nº 433, onde ela e Olcott eram vizinhos, ela no primeiro andar, ele, no segundo. As fontes de pesquisa, citações, referências a livros e autores, muitos deles, obras raras, sempre foram um dos grandes mistérios da ocultista. A biblioteca de Madame contava com poucos títulos que cabiam em um pequena estante. Ela explicava que obtinha as informações acessando os livros diretamente em Akasha, a Luz Astral ou, ainda, materializando temporariamente os livros que consultava. Essas referências foram cuidadosamente checadas por seus revisores que constataram a autenticidade das fontes. A "precipitação" ou "aporte" de objetostais como livros, cartas, jóias, entre outros, era um dos mais surpreendentes prodígios que Blavatsky realizava e, em numerosas ocasiões, diante de várias testemunhas, em qualquer ambiente, à luz do dia e ao ar livre.
A redação de Ísis Sem Véu continuou na rua 47, nº 302, no local que ficou conhecido como Lamaseria, considerado quartel-general nos primeiros tempos da Sociedade Teosófica em Nova Iorque. Ísis Sem Véu foi publicado em 1877 pelo editor J.W. Bouton e vendeu mil exemplares somente nos primeiros dez dias [e continua vendendo até hoje]. O sucesso de público tornou sua autora ainda mais conhecida. Blavatsky naturalizou-se norte-americana em 08 de julho de 1878 e, em dezembro do mesmo ano, ela e Olcott viajaram para a Índia com a missão de fundar um núcleo da Sociedade naquele país.

Índia

Em 16 de fevereiro de 1779, Olcott e Blavatsky chegaram a Bombaim sendo recepcionados por simpatizantes que já conheciam Madame HPB e as atividades da Sociedade Teosófica. Durante dois anos visitaram várias cidades e vilarejos indianos. Também foram a Sri-Lanka [Ceilão]. Naquele primeiro ano foi lançada a revista mensal Theosophist[publicada até hoje, 2008]. A revista gerou recursos da para se sustentar desde o início e logo começou a render pequenos lucros.
Em Allahabad, encontraram A.P. Sinnet, editor e articulista do periódico Pionner. Viajavam em grupo no qual se encontravam dois fundadores de uma comunidade budista: Edward Wimbridge e Damadar k. Kalavankar. Com este grupo foram ao Sri-Lanka onde permaneceram entre maio e julho de 1880. Em 25 de maio, Blavatsky e Olcott fizeram os votos do Pansil, em língua pali: uma declaração de observância aos princípios budistas. Seguiram para Panadure e, depois, em Kandy, visitaram o templo do Sagrado Dente de Buda, Dalada Maligawa. A relíquia tinha o tamanho de um ente de jacaré. Perguntaram a Blavatsky se ela acreditava que o objeto era genuíno. Ela respondeu: "Claro que é o dente dele; aquele que tinha quando nasceu como tigre" [CALDWELL, p 122].

O Broche da Sra. Hume

Entre setembro e outubro de 1880, HPB e Olcott estavam em Simla, norte da Índia. Ali, Blavatsky realizou vários prodígios do tipo "aporte de objetos", fazendo surgir do nada cartas, cigarros, xícaras, água, bordados em lenços, jóias, como no famoso caso do "broche da Sra. Hume". Ela perguntou à Sra. Hume: "Quer alguma coisa especial? pense em algo que gostaria... alguma coisa que queira não apenas por motivos mundanos; alguma coisa difícil de obter". A senhora, então, referiu-se a um broche que sua mãe lhe dera e ela perdera:
Madame Blavatsky então enrolou em dois papéis de cigarro uma moeda que trazia presa na pulseira do relógio e a colocou em seu vestido, dizendo que esperava trazer de volta aquele broche ainda naquela noite.... Um pouco mais tarde, no salão, avisou que o broche não seria trazido para dentro da casa, mas que deveriam procurar por ele no jardim. ...Uma prolongada e cuidadosa busca foi então efetuada com a ajuda de lanternas até que um pequeno pacote de papel de cigarro foi encontrado entre as folhas pela senhora Sinnet. Ao ser aberto, mostrou conter um broche que correspondia exatamente à descrição feita previamente e que a senhora Hume identificou como sendo o dela [CALDWELL, p 135].
O episódio presenciado e o relato escrito foi assinado por nove testemunhas: A.O. Hume, M.A, Hume, Fred R. Hogg, Alice Gordon, Wm. Davidson, Stuart Beatson, P. J. Maitland, A. P. Sinnett, Patience Sinnett.

Madras: Sociedade Teosófica & O Caso Coulomb

Em maio de 1882 a Sociedade Teosófica estabeleceu sua sede indiana em uma ampla propriedade situada as margens do rio Adyar, perto de Madras. Blavatsky e Olcott mudaram-se para lá em dezembro daquele ano. Foi nesta sede que aconteceu a chamada "Conspiração dos Coulomb". Alexis e Emma Coulomb, um casal de missionários cristãos, ambos dizendo-se interessados na Teosofia, foram acolhidos na casa. Emma já conhecia HPB de longa data, desde a malograda experiência da Sociedade Espírita no Egito. Eles forjaram uma situação a fim de denegrir os Teósofos acusando-os de fraude. Cartas, atribuídas a Blavatsky, foram publicadas atraindo a atenção da Society For Psyphical Research, de Londres. O caso ganhou ampla repercussão.
Formou-se uma comissão a fim de apurar a veracidade das denúncias e Richard Hodgson foi enviado à Índia para investigar a questão. O relatório final, em 1885, sentenciou: Madame Blavatsky era uma impostora! Abalada com a traição e a acusação, a ocultista ficou seriamente enferma. Foi desenganada, todavia, recuperou-se. Apesar disso, o médico insistiu que ela fosse para a Europa o quanto antes.
Os Coulomb e o Relatório Hodgson não ficaram sem resposta. Outros estudiosos ocuparam-se do assunto até que ficou definitivamente demonstrado que o casal havia se infiltrado na Sociedade justamente para criar [ou "plantar"] os fatos que resultaram nas denúncias: foi provado, por exemplo, que as cartas apresentadas como sendo escritas por HPB eram falsificadas.
Em 1880, ela e o marido [os Coulomb] estavam passando por dificuldades financeiras e, sabendo que a Madame estava em Bombay, pediram-lhe ajuda. O casal juntou-se ao pequeno grupo de trabalhadores, ainda em Bombay, em troca de casa e comida. Emma Coulomb trabalhava como governanta da casa e Alexis Coulomb, que era um marceneiro habilidoso, na manutenção. Em 1884, Emma Coulomb entregou para o rev. Patterson cartas que ela alegava terem sido escritas por HPB, onde a Madame combinava detalhes de truques para a realização de seus fenômenos, "provando", assim, que os fenômenos eram fraudes e HPB uma impostora. As cartas foram publicadas pelo Christian College Magazine, sob o título de "O Colapso de Koot Hoomi" [SISSON, 2000].
Dispositivos, como um alçapão e um boneco que serviriam para iludir pessoas crédulas freqüentadoras da sede indiana foram providenciadas pelo casal durante um período em que Blavatsky e Olcott se ausentaram da propriedade: no quarto de HPB, "Alexis Coulomb havia construído buracos e painéis deslizantes os quais, mais tarde, eles afirmariam tratar-se de artimanhas mecânicas utilizadas por HPB para a produção de seus fenômenos" [SISSON, 2000]. Os Coulomb foram expulsos de Adyar e acusados de desvio de verbas, difamação e fraude.

A Doutrina Secreta

O projeto editorial de A Doutrina Secreta, expressão máxima da Teosofia, começou a ser esboçado, com as primeiras anotações, seleção dos temas etc. em 1779 mas o livro somente começou a ser escrito, de fato, em 1885, depois do caso Coulomb, quando HPB deixou a Índia e foi para a Europa a conselho médico. O trabalho retomado na Alemanha. As repercussões da difamação dos Coulomb, que continuaram, por muito tempo, gerando controvérsias e notícias de jornal perturbou profundamente a ocultista. Ela perdia a concentração e somente quando superava o desânimo retomava a escrita.
Em julho de 1886, na Bélgica e completamente dedicada à Doutrina Secreta, Blavatsky foi acometida por uma séria doença renal. Sua saúde debilitava-se cada vez mais e consta que não morreu, na Índia mesmo, por intervenção direta do seu Mestre, o Mahatma Morya. Os médicos davam-lhe pouco tempo de vida. Morya, que a socorrera em sucessivas crises, ofereceu-lhe a opção: morrer ou continuar escrevendo a obra monumental; ela viveu! Em março de 1887 foi para Londres, de onde não mais sairia, e ali residiu em pelo menos três diferentes endereços até a morte.
A doutrina Secreta exigiu da ocultista um esforço titânico de vontade e uma severa disciplina de trabalho, das primeiras horas da manhã até o anoitecer. Não raro, era vista escrevendo até altas horas da madrugada quando todos pensavam que já se recolhera. Mais uma vez, a "biblioteca astral" foi utilizada em cerca de 1.400 citações e referências. Muitos discípulos e o próprio Mestre Morya auxiliaram nas revisões, correções e preparação das provas dos originais.
Finalmente, o primeiro volume de A Doutrina Secreta, tratando da Cosmogênese, foi publicado em 20 de outubro de 1888. O lançamento foi simultâneo em Londres e Nova Iorque. A edição inglesa vendeu 500 exemplares mesmo antes mesmo do lançamento. [O segundo volume apareceu no fim daquele ano]. Demonstrando uma determinação extraordinária, considerando a saúde seriamente comprometida, Blavatsky acumulou o labor da Doutrina com a elaboração de artigos para a revista Lúcifer, porta-voz da Sociedade Teosófica em Londres, e também para outros periódicos, como Path. [Olcott, na Índia, continuou editando a Theosophist]. Depois de concluir a Doutrina Secreta, Madame ainda escreveu outros livros notáveis, como A Voz do Silêncio e A Chave da Teosofia, ambos em 1889.

Magia Negra! Curiosa Cura

Em 1891, o norte-americano James Morgan Prayse estava em Londres. Ele vivera em uma comunidade esotérica, em Minnesota e já tinha vivenciado numerosas experiências paranormais. Para ele, deslocar-se ou comunicar-se com personalidades distantes através do corpo astral era uma experiência comum. Estudioso da obra do ocultista Paracelso, em 1899, Prayse tentou entrar em contato com aquele mestre através de Akasha [a Luz Astral] e, para tanto, concentrou-se na personalidade que tanto admirava:
"...quando meditava, o rosto de HPB veio à minha mente. Eu a reconheci pelo retrato em Ísis... Pensando que o retrato astral era uma divagação fantasiosa, tentei apagá-lo; mas nisso o rosto deu sinais de impaciência, e imediatamente fui tirado do meu corpo e levado "no astral" para HPB, em Londres... [Ou seja...] ... Buscando Paracelso ...não tentando me intrometer com HPB... acabei por encontrá-lo. Porque HPB era Paracelso. ...Uma noite... [estando Prayse em Londres no começo de 1891] ...chegou a notícia de que HPB estava tão doente que os médicos achavam que ela não passaria daquela noite... Resolvi tentar um experimento.
Em anos passados eu havia realizado inúmeras experiências hipnóticas... algumas vezes usando meu prana [força vital] como força curativa. Já que HPB estava morrendo por falta de força vital... decidi transferir para ela metade do meu prana... Assim que comecei a me concentrar para fazer a transferência, HPB me chamou de forma bem audível: "Não faça isso, é magia negra". Determinado, respondi: "Muito bem, Velha Senhora, magia negra ou não, eu vou fazer". E fiz. Na manhã seguinte, eu me sentia debilitado, mas isso era uma coisa sem muitas conseqüências; demoraria uns dias para eu recobrar as forças. Na mesa do desjejum, recebi boas notícias. HPb estava se recuperando... [CALDWELL, p 297-299]

Morte

Apesar do esforço de "magia negra" do jovem Prayse, meses depois, o inevitável aconteceu. Em 03 de julho de 1890 foi inaugurada a sede central européia da Sociedade Teosófica. Era a casa de Anne Besant, na 19 Avenue Road, St, John's Wood. Blavatsky passou a morar ali. Besant, jornalista, pesquisadora de ciências humanas e esoterismo, aderiu a S.T. em 1889. HPB, muito debilitada, quase não comparecia às reuniões; preferia ficar sozinha em seus aposentos.
Na noite de 23 de abril de 1891 ela passou mal: tinha calafrios. O médico, Dr. Mennel, diagnosticou influenzza. Várias pessoas da casa também ficaram doentes. HPB apresentava o quadro mais grave: febre alta, tosse, dificuldade para engolir e respirar, amigdalite. Apesar de ter apresentado discreta melhora, a situação não era animadora. No fim da tarde de 07 de maio ela ofereceu um cigarro ao médico. Foi o último cigarro que enrolou na vida. Às 11:30 h da manhã de 08 de maio, tendo à cabeceira Laura M. Cooper e Mr. Wright, assistida por uma enfermeira, ela morreu lenta e suavemente. Seu corpo foi cremado no Woking Crematorium, Surrey, Inglaterra. O coronel Olcott, que estava em Sidney, onde daria uma palestra, soube que ela tinha morrido através de mensagem telepática enviada pela própria Blavatsky.
Ocultista em vida, Madame ou quem quer que fosse no plano espiritual, continuou ocultista em seu post mortem. Poucos dias depois da morte, ela apareceu para a discípula Julia Keightley:
Ela me acordou à noite. ...Ela me olhou com seu olhar leonino. Então sua figura foi se adelgaçando, espichando, ficando mais alta, assumindo formas masculinas; seu rosto se alterou lentamente até que um homem alto e forte apareceu diante de mim, os últimos vestígios do rosto dela desaparecendo no dele. Apenas o olhar leonino, radiante, permaneceu. O homem levantou a mão e disse: "veja isso". Andou pelo quarto e colocou a mão sobre o retrato de HPB. Desde então, ele tem aparecido para mim várias vezes, dando instruções, até em plena luz do dia, enquanto estou atarefada, trabalhando. Uma vez ele saiu de um grande retrato de HPB. [CALDWELL]

Cigarros ─ A Figura ─ A Personalidade

Madame Blavatsky tinha uma personalidade forte, um gênio irritável e muitas vezes, irritante, um senso de humor satírico, especialmente com aqueles que ansiavam ver prodígios e uma característica assinalada por muitos que a conheceram era o hábito de fumar desbragadamente, cigarros mas, também haxixe. Vários testemunhos referem-se à sua aparência física e ao seu excêntrico modo de ser para uma mulher ocidental do século XIX. Os relatos abaixo, entre muitos outros, foram extraídos do livro de Daniel Caldwell [que, aliás, é uma coletânea de relatos]:
Eu a via, dia após dia, sentada ali [na casa nº222 da Madison Street], enrolando seu cigarro e fumando sem parar. Trazia no pescoço uma espécie de cabeça de animal peludo, na qual guardava seu fumo... Creio que devia ser mais alta do que aparentava, porque era forte; tinha rosto e ombros largos; o cabelo era marrom claro, todo encrespado, como o dos negros. [Elizabeth G. K. Holt, p 51].
Seu nariz era uma catástrofe, mais um apêndice utilitário do que um ornamento, e a boca, animalesca. A forma da cabeça indicava inteligência, e seu cabelo era a coisa mais estranha que eu já havia visto; muito grosso, preso num birote na parte de trás da cabeça. Embora de cor clara, tinha a textura de cabelo de negro. Era macio, bonito e iluminado, mas enrolado como carapinha. ...Era evidente que fumava demais, e descobri que usava também o haxixe... Disse que já fumara ópio, mas as sensações produzidas pelo haxixe eram celestiais ou infernais; nunca tinha encontrado nada que se comparasse a ele para estimular a imaginação. [Hannah M. Wolf, p 53]
Madame costumava usar uma roupa larga e uma espécie de jaqueta bordada, com os papéis de cigarro num bolso e o fumo no outro. ...O tabaco que ela usava era do tipo popular; talvez devido à sua falta de dinheiro. Os cigarros eram incontáveis,e os vasos de flores ficavam lotados de tocos. [Eugene Rollin Corson - 1875, p 69]


Para finalizar, um vídeo do saudoso Profº Adhemar Ramos falando sobre a vida de Blavatsky...




Para Saber Mais

Livros de Blavatsky
Ísis Sem Véu (1877)
A Doutrina Secreta, vol. I e II (1888)
Glossário Teosófico (editado em 1892)
A Chave para a Teosofia (1889)
Ocultismo Prático
A Voz do Silêncio (1889)
No País das Montanhas Azuis
Pelas Grutas e Selvas do Hindustão
Cinco Anos de Teosofia (artigos da revista The Theosophist
Gemas do Oriente (pensamentos para cada dia do ano)
Livros sobre Blavatsky: 
Caldwell, Daniel. [Trad. Vera Lucia Leitão Magyar]. O Mundo Esotérico de Madame Blavatsky: Cenas da Vida de Uma Esfinge Moderna. São Paulo: Madras, 2003.
CARDILLO, Edmundo. Blavatsky e Sua Obra. In A Chave da Teosofia, de H.P. Blavatsky. [trad. Ilka Arnaud]. São Paulo: Ed. Três, 1983 ─ Biblioteca Planeta.
RANSOM, Josephine. H.P. Blavatsky: Sinopse de Sua Vida. In A Doutrina Secreta, vol. I Cosmogênese - p 19. [Trad. Raymundo Mendes Sobral] São Paulo: Pensamento, 2000.
SISSON, Marina Cesar. O Caso Coulomb. In Informativo HPB nº10, 2000. Publicado em Blavatsky.net | português.

Atlântida - Uma viagem rumo ao elo perdido





















Atlântida foi uma grande ilha ou continente que, segundo narrativa de Platão, estaria localizada além das Colunas de Hércules (Estreito de Gibraltar). Conforme a lenda, a ilha coubera a Netuno, quando, nos primeiros tempos, os deuses fizeram entre si a partilha do mundo. Netuno, que viveu na ilha por longo tempo em companhia da jovem Clito, dividiu a região em dez partes, cedendo-as a cada um dos dez filhos que tivera de sua união com a jovem mortal. Todos os reis de Atlântida, contudo, obedeciam ao irmão Atlas, filho mais velho de Netuno. Os soberanos da misteriosa ilha, explorando suas riquezas, como o ferro, o cobre e o ouro, fundaram grandes e ricas cidades, alcançando progresso e grande poderio. Mas fracassaram na sua tentativa de dominar os atenienses, que os repeliram com uma poderosa armada. Ainda segundo a narrativa de Platão (baseada em informações obtidas de sacerdotes egípcios), os atlantes entregaram- se aos vícios e perverssões, o que, atraindo a coléra dos deuses, redundou na sua destruição, com grandes maremotos e tremores de terra. Houve uma época em que o Delta do Egito e a África do Norte faziam parte da Europa. Antes que a formação do Estreito de Gilbratar e o levantamento interior do Continente alterassem por completo o mapa da Europa.

A última mudança notável ocorreu há uns 12.000 anos, e foi seguida pela submersão da pequena ilha atlante à qual Platão deu o nome de Atlântida. A destruição da famosa Ilha de Ruta e da ilha menor de Daitya - que se deu há cerca de 850.000 anos, no fim do período Plioceno, não deve ser confundida com a submersão do continente principal da Atlântida, durante o período Mioceno.

A causa do desaparecimento da Atlântida, foram as perturbações sucessivas do eixo de rotação. Este cataclismo começou nos primeiros tempos da era Terciária e, continuando durante muito tempo, determinou a extinção, pouco a pouco, dos últimos vestígios da Atlântida, com a exceção provavelmente de Ceilão, e de uma pequena parte do que agora é a África.

O debate sobre a existência da Atlântida é bem antigo. Desde os tempos do filósofo Grego Platão, a Atlântida com sua explêndida civilização, chega aos dias atuais como um enigma que originou a publicação de aproximadamente 26.000 livros. Teses de caráter geológico, arqueológico e outras têm servido para aguçar o espírito humano na busca da existência do enigmático continente.


















AS PRIMEIRAS NARRATIVAS

De todas as lendas sobre povos e civilizações perdidas, a história de Atlântida parece ser aquela que mais interesse tem despertado. A primeira referência escrita deste mito encontra-se nos relatos de Platão. Nos diálogos Timeu e Crítias é narrada a fascinante história da civilização localizada "para além das colunas de Hércules". É descrita a existência desta ilha, bem como os detalhes históricos de seu povo, com sua organização social, política e religiosa, além de sua geografia e também da sua fatídica destruição "no espaço de uma noite e um dia ". Eis parte do diálogo : "...Ouvi, disse Crítias, essa história pelo meu avô, que a ouvira de Sólon, o filósofo. No delta do Nilo eleva-se a cidade de Sais, outrora capital do faraó Amásis e que foi fundada pela deusa Neit, que os gregos chamam Atena. Os habitantes de Sais são amigos dos atenienses, com os quais julgam ter uma origem comum. Eis por que Sólon foi acolhido com grandes homenagens pela população de Sais. Os sacerdotes mais sábios da deusa Neit apressaram-se a iniciá-lo nas antigas tradições da história da humanidade.

Na tradição oral de muitos povos antigos, nos relatos de textos bíblicos, em documentos toltecas e nos anais da doutrina secreta, existem coincidências que nos fazem crer que outrora existiu um continente no meio do Oceano Atlântico, que um dia foi tragado pelas águas revoltas.


O PAÍS,O POVO E SUAS RIQUEZAS...


Geograficamente, Platão descreve a Atlântida desta forma: "toda a região era muito alta e caía a pique sobre o mar, mas que o terreno à volta da cidade era plano e cercado de montanhas que desciam até a praia, de superfície regular, era mais comprida do que larga, com três mil estádios na sua maior extensão, e dois mil no centro, para quem subisse do lado do mar. Toda essa faixa da ilha olhava para o sul, ao abrigo do vento norte. As montanhas das imediações eram famosas pelo número, altura e beleza, muito acima das do nosso tempo...".

Segundo todos os relatos, os atlantes desenvolveram-se de tal forma, que o grau de riqueza alcançado por sua civilização não encontra paralelo conhecido, sendo pouco provável que outros povos viessem a obter tamanha prosperidade e bonança.

A Atlântida possuía dez reis. Estes soberanos por sua vez possuíam dentro de seus domínios "um poder discricionário sobre os homens e a maior parte das leis, sendo-lhes facultado castigar quem quisessem, ou mesmo condená-los à morte".

O país dos atlantes era dividido em 60.000 lotes e cada um deles tinha um chefe militar.

O aspecto que mais fascina no relato platônico é sem dúvida o que se refere às riquezas da ilha-continente, tanto no que tange às construções, como aos imensos recursos naturais da legendária ilha.

Segundo Platão, a Atlântida possuía a capacidade de prover seus habitantes com todas as condições de sustento, apesar de receber de fora muito do necessário, provavelmente, através do comércio. Havia na ilha grande abundância de madeira que com certeza foi utilizada nas imensas obras lá construídas, bem como imensas pastagens, tanto para animais domésticos, como para selvagens, incluindo aí a raça dos elefantes, que teriam se multiplicado pela ilha. Havia também todos os tipos de frutos, legumes, flores e raízes, sendo que o fabrico de essências e perfumes era corriqueiro. A extração de minérios, em particular o ouro, ocorria fartamente em Atlântida.

Diz Platão que de início os atlantes "construíram pontes nos cinturões de mar que envolvia a antiga metrópole, a fim de conseguir passagem para fora e para o palácio real", bem como abriram um canal de três plectros de largura e cem pés de profundidade, ligando o mar ao primeiro cinturão de água, canal este que servia de entrada para embarcações vindas de outras partes. No segundo cinturão, os barcos podiam ancorar com maior segurança, e fazia deste uma espécie de porto.

As águas jorravam no centro da ilha, desde que Poseidon assim quis, também tiveram tratamento dos mais apurados: em suas imediações foram plantadas "árvores benéficas para as águas", bem como foram construídas "cisternas para banhos quentes no inverno". Havia, contudo, locais próprios para os banhos dos reis, bem como modalidades específicas para as mulheres. Segundo o relato, "parte da água corrente eles canalizaram para o bosque de Poseidon, a outra parte era canalizada para os cinturões externos por meio de aquedutos que passavam sobre as pontes".

Nos cinturões externos de terra, foram construídos ginásios para práticas esportivas e hipódromos, bem como moradia para soldados, hangares para barcos e armazéns para todas as modalidades conhecidas de artigos náuticos. O canal principal que servia de entrada para embarcações era muito movimentado, tanto de dia como de noite, o que demonstra ter sido Atlântida um grande centro comercial de seu tempo.

O palácio real era segundo os relatos "uma verdadeira obra prima de encantar a vista, por suas dimensões e beleza".
O templo dedicado a Poseidon era cercado por um muro de ouro, que segundo o relato "tinha um estádio de comprimento e três plectros de largura para fora, todo o templo era forrado de prata, com exceção dos acrotérios, que eram de ouro. No interior, a abóboda era de marfim, com ornamentos de ouro, prata e oricalco".

Havia também no templo estátuas dedicadas a diversas divindades, bem como outras que homenageavam os reis e suas esposas, além de um altar cuja beleza e magnificência não encontrava paralelo conhecido. Essa é resumidamente a Atlântida de Platão, com seus detalhes e maravilhas.


A GUERRA COM OS ATENIENSES E A DESTRUIÇÃO...

Na conversa que tiveram com Sólon acrescentaram os sacerdotes que calamidades maiores foram às vezes causadas pelo fogo do céu (...) Depois os sacerdotes fizeram saber a Sólon que conheciam a história de Sais a partir de 8000 anos antes daquela data (...) "Há manuscritos, disseram, que contêm relato de uma guerra que se lavrou entre os Atenienses e uma nação poderosa que existia na grande ilha situada no Oceano Atlântico (...) e mais além, no extremo do oceano um grande continente. A ilha chamava-se Posseidonis, ou Atlantis (...) quando se deu a invasão da Europa pelos atlantes, foi Atenas, como cabeça de uma liga de cidades gregas, que pelo seu valor salvou a Grécia do jugo daquele povo. Posteriormente a estes acontecimentos houve uma grande catástrofe: um violento terremoto sacudiu a terra, que foi depois devastada por torrentes de chuva. As tropas gregas sucumbiram e a Atlântida foi tragada pelo oceano (...) Sempre houve e há de haver no futuro numerosas e variadas destruições de homens; as mais extensas, por meio da água ou pelo fogo, e as menores por mil causas diferentes (...) Nas destruições pelo fogo, prosseguem os sacerdotes, perecem os moradores das montanhas e dos lugares elevados e secos, de preferência aos que habitam as margens dos rios ou do mar (...), por outro lado, quando os Deuses inundaram a terra para purificá-la, salvaram-se os moradores das montanhas, vaqueiros e ovelheiros, enquanto os habitantes de vossas cidades eram arrastados para o mar pelas águas dos rios. (...) entre vós outros, mal começais a vos prover da escrita e do resto de que as cidades necessitam, depois do intervalo habitual dos anos, desabam sobre vós, do céu, torrentes d'água, maneira de alguma pestilência, só permitindo sobreviver o povo rude e iletrado. A esse modo, como se fosseis criancinhas, recomeçais outra vez do ponto de partida, sem que ninguém saiba o que se passou na antiguidade, tanto aqui como entre vós mesmos".

A primeira coisa que chama a atenção do pesquisador é a semelhança das referências antigas nesse particular. Na Bíblia o profeta Isaías fala do desaparecimento da Atlântida com palavras bastante diretas: "... Ai da terra dos navios que está além da Etiópia; do povo que manda embaixadores por mar em navios de madeira sobre as águas. Ide, mensageiros velozes, a uma gente arrancada e destroçada; a uma gente que está esperando do outro lado, e a quem as águas roubaram suas terras..." (Is XVIII, 1-2). Também Ezequiel trata do mesmo assunto nos capítulos XXVI e XXXII: "... Disse o senhor: E fazendo lamentações sobre ti, dir-te-ão: como pereceste tu que existias no mar, ó cidade ínclita, que tens sido poderosa no mar e teus habitantes a quem temiam? Agora passarão nas naus, no dia da tua espantosa ruína, e ficarão mergulhadas as ilhas no mar, e ninguém saberá dos teus portos; e quanto tiver feito vir sobre ti um abismo e te houver coberto com um dilúvio de água, eu te terei reduzido a nada, e tu não existirás, e ainda que busquem não mais te acharão para sempre...".

As citações do Velho Testamento podem ser comparadas às escritas de um velho códice tolteca, cuja tradução, feita por Plangeon, diz o seguinte: ": No ano 6 de Kan, em 11 muluc do ano de Zac, terríveis tremores de terra se produziram e continuaram sem interrupção até o dia 13 de Chen. A região de Argilla, o país de Mu, foi sacrificado. Sacudido duas vezes, ele desapareceu subitamente durante a noite. O solo, continuamente influenciado por forças vulcânicas, subia e descia em vários lugares, até que cedeu. As regiões foram então separadas umas das outras, e depois dispersas. Não tendo podido resistir às suas terríveis convulsões elas afundaram, arrastando para a morte seus 64 milhões de habitantes. Isto se passou 8060 anos antes da composição deste escrito".



















AS PROVAS GEOLÓGICAS...

Há 100 milhões de anos, a geografia do planeta era bem diferente da atual. As massas continentais encontravam-se unidas, formando um grande continente, cercado pelo mar. Este grande continente conhecido como Pangéia, desfez-se gradualmente ao longo das eras geológicas, até atingir a conformação atual. Este fato é reconhecido pela ciência.

Este processo de separação, se se deu por violentos movimentos tectônicos, às vezes acompanhados de cataclismas violentos, que se prolongaram por milhões de anos. Neste período de deslocamento constante das placas tectônicas, se deram formações de cordilheiras, bem como o desaparecimento de vastas áreas, que submergiram nos oceanos. O local onde os dois grandes blocos continentais se desmembraram (Américas a Oeste - Europa, Ásia e Austrália a Leste) encontra-se demarcada por uma espécie de cordilheira submarina chamada Dorsal Meso-Atlântica

A Dorsal Meso-Atlântica apresenta inúmeras ramificações, que praticamente chegam a ligar os dois blocos continentais. Ao longo destas colinas submarinas, encontra-se uma enormidade de ilhas vulcânicas que vão de pólo a pólo. Ao norte, em plena região ártica temos as ilhas Pássaros, Jan Mayen e Islândia. Mais ao sul, pouco acima do trópico de câncer, encontramos o arquipélago de Açores, Ilha da Madeira e Cabo verde. Mais ao sul temos Santa Helena e outras menores. Próximo da Antártida destacamos as ilhas de Érebo, Martinica. Desta forma, Atlântida pode ter se constituído numa destas formações marcadas por intenso vulcanismo.

A tese da separação dos continentes encontra um forte respaldo na perfeita combinação da costa brasileira com a costa ocidental da África, que se encaixam como num quebra-cabeças, no entanto, no extremo norte, as peças deste quebra-cabeças não se encaixam com clareza. Isto pode ser percebido nos litorais da Escandinávia, Islândia, Groelândia e norte do Canadá. Entre a costa Norte-Americana e a Europa e norte da África, existe um grande vazio, como se faltasse uma peça do quebra - cabeças. Teria então este vazio relação com o Continente da Atlântida, desaparecido no meio do Oceano?



ASSIM ERA ATLÂNTIDA




















Plano de Atlântis. À esquerda, a cidade em seu conjunto, com suas ligações com o Oceano e com o sistema de irrigação da planície. À direita, a cidade proibida em detalhe, com o Palácio Imperial e o Templo de Posêidon.

























A CIDADE EXTERIOR: canal com colossais estátuas de deuses atlantes (80 a 100 m de altura)

Os habitantes da Atlântida construíram templos, os palácios dos reis, os portos, as docas secas, e embelezaram assim todo o resto do país na seguinte ordem. Sobre os braços de mar circulares, que rodeiam a velha cidade materna, logo lançaram pontes e abriram uma rota para fora e para as moradas reais. Esse palácio dos reis, o haviam construído desde o início na mesma região habitada pelo deus e os seus ancestrais. Cada soberano recebeu o palácio de seu predecessor e embelezou-o a seu turno, mais do que já havia sido adornado. Procurou sempre exceder o antecessor, tanto quanto pôde, a tal ponto que, quem quer que veja o palácio é tomado de estupor, diante da grandiosidade e beleza da obra.

Fizeram, começando pelo mar, um canal de cem metros de largura, trinta metros de profundidade e dez quilômetros de comprimento, e levaram-no até o braço de mar circular mais exterior. Para as naus vindas de alto-mar, abriram uma entrada, como num porto. Aí abriram uma enseada, suficiente para que os grandes navios pudessem penetrar. Depois, nos obstáculos de terra que separavam os círculos d'água, na altura das pontes, abriram passagens, tais que só um navio pudesse passar de um círculo para outro, e cobriram essas passagens com tetos, tão bem que a navegação aí era subterrânea, pois os parapeitos dos círculos de terra se elevam suficientemente acima do mar.

A maior das barreiras de água, aquela onde penetra o mar, tem largura de seiscentos metros, e a de terra que se lhe seguia tem igual largura. No segundo círculo, a barreira de água tem quatrocentos metros de largura e a barreira de terra tem ainda uma largura igual. Mas a barreira de água que rodeia imediatamente a ilha central tem só duzentos metros. A ilha, na qual se encontrava o palácio dos reis, tem um diâmetro de um quilômetro. A ilha, as barreiras e a ponte (que tem a largura de trinta metros) circundam inteiramente de um muro de pedra circular. Puseram torres e portas sobre as pontes em todos os lugares por onde passava o mar. Tomaram a pedra necessária de sob a periferia da ilha central e de sob as barreiras, no exterior e no interior. Havia da branca, da negra e da vermelha.

Ao mesmo tempo que extraíam a pedra, cavaram dentro da ilha duas bacias para navios, com o próprio rochedo como teto. E, das construções, umas são simples, e em outras, misturam as espécies de pedras e variam as cores, para o prazer dos olhos, e dão-lhes desta maneira uma aparência naturalmente aprazível. O muro que rodeia a barreira mais externa foi revestido, em toda a volta, de cobre, que lhe serviu de reboco. Recobriram de estanho fundido a barreira interior e, quanto àquela que rodeava a própria Acrópole, guarneceram-na de oricalco, que tem reflexos de fogo.

O palácio imperial, no interior da Acrópole tem a seguinte disposição. No meio da Acrópole, eleva-se o templo consagrado, nesse mesmo lugar, a Clito e a Posêidon. O acesso é interditado, e é rodeado de um fecho de ouro. Foi lá que de início Clito e Posêidon conceberam e deram à luz a raça dos dez chefes das dinastias reais. Lá, a cada ano, vêm-se das dez províncias do país oferecer a cada um desses deuses os sacrifícios da estação.


O SANTUÁRIO DE POSÊIDON

O santuário próprio de Posêidon tem um comprimento de duzentos metros, largura de cem metros e uma altura proporcionada. Revestiram de prata todo o exterior do santuário, exceto as arestas de espigão, e estas arestas eram de ouro. No interior, a cobertura é toda de marfim e inteiramente ornada de ouro, prata e oricalco. Os muros, as colunas, o pavimento, guarneceram-no de oricalco. Aí colocaram estátuas de ouro: o deus de pé sobre seu carro, atrelado com seis cavalos alados, e era tão grande que o cimo de sua cabeça tocava o teto. Em círculo, em torno dele, as cem nereidas sobre seus delfins. Há também no interior grande quantidade de outras estátuas, oferecidas por particulares. Em torno do santuário, no exterior, erguem-se, em ouro, as efígies de todas as mulheres dos dez reis e de todos os descendentes que engendraram, e numerosas outras grandes estátuas votivas de reis e de particulares, originárias da cidade mesma, ou de países estrangeiros sobre os quais tinham soberania. Por suas dimensões e por seu trabalho, o altar responde a esse esplendor, e o palácio imperial é proporcional à grandeza do império e à riqueza dos ornamentos do santuário.

Quanto aos mananciais, o de água fria e o de água quente, ambos de generosa abundância e maravilhosamente adequados para uso, pela amenidade e virtudes de suas águas, eles os utilizam, dispondo em torno deles construções e plantações apropriadas à natureza das águas. Instalam em redor tanques, uns a céu aberto, outros cobertos, destinados aos banhos quentes no inverno: há, separados, os banhos reais e os dos particulares, outros para as mulheres, para os cavalos e para as outras alimárias, cada um com a decoração apropriada. A água daí proveniente, conduzem-na ao bosque sagrado de Posêidon. Este bosque, graças à virtude do solo, compreende árvores de todas as essências, de beleza e altura divinas. Daí, fazem correr a água para as barreiras exteriores por canalizações construídas ao longo das pontes.

Desse lado, foram construídos numerosos templos para muitos deuses e jardins e ginásios para os homens, e picadeiros para os cavalos. Estes foram construídos à parte nas ilhas anulares, formadas pelas barreiras. Dentre outros, para o meio da maior das ilhas, reservam, para as corridas de cavalos, um picadeiro da largura de um estádio e o bastante longo para permitir aos cavalos fazer, na corrida, a volta completa da barreira. Em derredor, por toda a extensão, a distâncias regulares, há casernas para quase todo o efetivo da guarda do imperador. O melhor corpo de tropa estava alojado na menor das barreiras, a mais próxima da Acrópole. E para aqueles que se distinguiam dentre todos por sua fidelidade, foram-lhes afetados alojamentos no interior da Acrópole, perto do palácio imperial. Os arsenais estão plenos de navios de guerra e todos os acessórios necessários para armá-las, e o todo é postado em perfeita ordem.

Quando se atravessam as portas exteriores, em número de três, encontra-se uma trincheira circular, começando pelo mar, e mantendo a distância de dez quilômetros da maior barreira, que formava o maior porto. Esta trincheira fecha-se sobre si mesma na enseada do canal que se abria do lado do mar. É totalmente coberta de numerosas casas, umas ao lado das outras. Quanto ao canal e ao porto principal, regurgitam de naus e mercadores vindos de todos os lugares. Sua multidão causa aí, dia e noite, um contínuo burburinho de vozes, um tumulto incessante e diverso.

A cidade proibida cobre um total de 10 km² (1.000 ha) e divide-se em três partes, nas quais o ingresso é cada vez mais restrito. A parte menos inacessível é a ilha anular exterior, protegida pela muralha revestida de cobre, tem uma área de 690 hectares, um terço da qual ocupada por uma larga pista circular gramada destinada a desfiles, exercícios militares e corridas de cavalos. Em seguida, vem a ilha anular interior, com 230 hectares, protegida pela muralha revestida de estanho. Por fim, a ilha central da Acrópole, cercada pela muralha de oricalco, cobre 80 hectares.

Cem mil pessoas habitam esse complexo, incluindo trinta mil soldados da guarda imperial. São três mil pessoas na Acrópole, incluindo a corte imperial, o harém do imperador, os sacerdotes de Posêidon, os mil homens mais fiéis da elite da guarda imperial e os servidores mais próximos. No anel menor, vivem dezoito mil, incluindo os ministros, os aristocratas mais próximos da coroa e a elite da guarda imperial. Outros setenta mil residem no anel maior, que inclui a maior parte da burocracia do Império e da guarda imperial. A maioria dos cidadãos comuns de Atlântis não põe os pés sequer na ilha anular exterior, a não ser que seja convocado ou que consiga marcar uma audiência com um alto funcionário do Império.

A cidade exterior tem uma área total de 480 km² e é habitada por mais de seis milhões de pessoas. É governada por uma mulher da família imperial escolhida pelo Imperador.

Além do canal principal, há uma densa rede de canais secundários e terciários pelos quais trafegam pequenas embarcações de carga e passageiros, dividindo a cidade em milhares de pequenas ilhas densamente habitadas e ligadas entre si por ruas e pontes.

Os canais secundários tipicamente têm quinze a trinta metros de largura e, assim como o canal principal, são margeados por avenidas suficientemente largas para permitir o desfile de grandes exércitos e o trânsito de elefantes, carroções e carruagens. Esses canais e avenidas delimitam os 50 setores em que se divide a capital, cada um deles administrado por um prefeito eleito pela nobreza local. Dentro dos setores, porém, só é possível deslocar-se a pé, com liteira ou por meio de uma das 250 mil gôndolas (semelhantes às de Veneza) que servem a cidade. A rede de canais terciários é extremamente complexa e mesmo gondoleiros experientes podem perder-se quando saem de seus setores. Podem ter de quatro a dez metros de largura e são normalmente margeados por calçadas. São pouco profundos – em geral, um a três metros – e são atravessados por pontes com altura mínima de dois metros e meio.

Os canais terciários freqüentemente delimitam pequenos distritos semi-autônomos, cada um deles com uns poucos milhares de habitantes, uma câmara de conselheiros e um alcaide eleitos pelo povo que respondem aos prefeitos dos respectivos setores. Cada bairro tem seu próprio templo, sua cultura (muitos têm caráter étnico) e suas rivalidades com os bairros vizinhos.

A cidade é servida por uma intrincada rede de esgotos e galerias que passa por baixo dos canais e deságua no mar, a boa distância da costa. Assim, apesar da enorme população, a água dos canais é razoavelmente limpa. Há peixes e ingeri-la geralmente não é fatal. Os esgotos comunicam-se em alguns pontos com uma rede de catacumbas e passagens subterrâneas, muitas delas secretas ou esquecidas.

O conjunto da cidade exterior é cercado por uma muralha de pedra com oitenta quilômetros de circunferência, cem metros de altura e trinta metros de espessura, guardada por vinte mil soldados. Além das duas entradas do canal principal, a muralha tem 16 portões que dão acesso às estradas que levam para os bosques do Amor e dos Deuses. Há também muitas passagens secretas, estreitos túneis através das muralhas conhecidos apenas dos seus guardiões.

Ao norte da cidade, estende-se uma vasta planície fértil e cortada por milhares de canais e, para além dela, há altas montanhas. Todo a produção excedente dessas regiões flui para Atlântis ou é exportada através de seus portos, gerando um intenso e permanente trânsito de embarcações de todos os tipos e tamanhos através de seus canais.

A leste e oeste, estendem-se reservas florestais de centenas de quilômetros quadrados. A reserva do lado leste, conhecida como os Bosques do Amor, destina-se a luas de mel, ao lazer e a outros entretenimentos de aristocratas e poderosos mercadores, inclusive a caça. É pontilhada por colinas, luxuosas estalagens, casas de banhos termais, palácios de verão e pavilhões de caça. Já a reserva do lado oeste, conhecida como os Bosques dos Deuses tem caráter sagrado e nela encontram-se cemitérios, monastérios, templos e o Vale dos Imperadores, onde se encontram as tumbas dos Atlas desaparecidos e gigantescas pirâmides construídas com as pedras extraídas durante a construção do Grande Canal, que dominam o horizonte da capital. A maior delas tem dois quilômetros de altura e três quilômetros na base.

FONTE: http://rpg_ficcao.sites.uol.com.br
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AS ERAS GLACIAIS E A ATLÃNTIDA

Denominam-se eras glaciais os períodos em que grandes regiões do planeta estiveram sob um processo contínuo de glaciações, fenômeno este resultante de causas múltiplas e complexas: movimentos orbitais da terra, continentalidade dos pólos, elevação de terras, circulações oceânicas, mudanças na composição da atmosfera e outras.

Ocorreram na história do planeta diversas fases deste fenômeno, desde o período pré-cambriano até bem recentemente. No entanto, dado às dificuldades, a pesquisa científica só conseguiu definir de forma minuciosa a última grande glaciação, que ocorreu durante o pleistoceno.

Uma glaciação inicia-se quando, após um rigoroso inverno, a neve acumulada não se derrete totalmente com a chegada do verão, sobrevivendo até o outro inverno na forma de gelo. Este fato resfria a região e num acúmulo sucessivo de milhares de anos forma-se uma calota de gelo, cada vez mais resistente criando impactos de resfriamento cada vez maiores.

Há cerca de 80.000 anos, iniciou-se o último grande avanço das geleiras na região norte do planeta, tanto na Europa como na América do Norte, sendo que o fim desta última glaciação deve ter ocorrido entre 20.000 a 10.000 anos atrás.O fim da Glaciação implica na subida do nível dos Oceanos. Esta última é a data fatídica da Submersão da Atlântida

A Atlântida ou Atlântis teria sido uma antiga ilha ou continente, cuja real existência ou localização nunca foram confirmadas. E cuja primeira menção conhecida remonta a Platão em suas obras "Timeu ou a Natureza" e "Crítias ou a Atlântida.
Relatos
Originalmente mencionada pelo filósofo grego Platão (428-347 a.C.) em dois dos seus diálogos (Timeu e Crítias),[1] conta-nos que Sólon, no curso das suas viagens pelo Egipto, questiona um sacerdote que vivia em Sais, no delta do Nilo e que este lhe fala de umas tradições ancestrais relacionadas com uma guerra perdida nos anais dos tempos entre os atenienses e o povo de Atlântida. Segundo o sacerdote, o povo de Atlântis viveria numa ilha localizada para além dos pilares de Heracles, onde o Mediterrâneo terminava e o Oceano começava.


Quando os deuses helênicos partilhavam a terra, a cidade de Atenas pertencia à deusa Atena e Hefesto, mas Atlântida tornou-se parte do reino de Poseidon, deus dos mares.

Em Atlântida, nas montanhas ao centro da ilha, vivia uma jovem órfã de nome Clito. Conta a lenda, que Poseidon ter-se-ia apaixonado por ela e, de maneira a poder coabitar com o objeto da sua paixão, teria divisado uma barreira constituída por uma série de muralhas de água e fossos aquíferos em volta da morada da sua amada. Desta maneira viveram por muitos anos e da sua relação nasceram cinco pares de gêmeos, ao qual o mais velho o deus dos mares batizou de Atlas. Após dividir a ilha em dez áreas anelares, autorizou supremacia a Atlas, dedicando-lhe a montanha de onde Atlas espalhava o seu poder sobre o resto da ilha.

Em cada um dos distritos (anéis terrestres ou cinturões), reinavam as monarquias de cada um dos descendentes dos filhos de Clito e Poseidon. Estes reuniam-se uma vez por ano no centro da ilha, onde o palácio central e o templo a Poseídon, com os seus muros cobertos de ouro, brilhavam ao sol. A reunião marcava o início de um festival cerimonioso em que cada um dos monarcas dispunha-se à caça de um touro; uma vez o touro caçado, beberiam do seu sangue e comeriam da sua carne, enquanto sinceras críticas e comprimentos eram trocados entre si à luz lunar.

Atlântida seria uma ilha de extrema riqueza, quer vegetal e mineral, não só era a ilha magnificamente prolífica em depósitos de ouro, prata, cobre, ferro, etc como ainda de oricalco, um metal que brilhava como fogo.

Os reis de Atlântida, construíram inúmeras pontes, canais e passagens fortificadas entre os seus cinturões de terra, cada um protegido com muros revestidos de bronze no exterior e estanho pelo interior, entre estes brilhavam edifícios construídos de pedras brancas, pretas e vermelhas.

Tanto a riqueza e a prosperidade do comércio, como a inexpugnável defesa das suas muralhas, se tornariam imagens de marca da ilha.























Pouco mais se sabe de Atlântida, segundo Platão, esta foi destruída por um desastre natural (possivelmente um terremoto ou maremoto) cerca de 9000 anos antes da sua era. Crê-se ainda que os atlantes teriam sido vítimas das suas ambições de conquistar o mundo ao serem dizimados pelos atenienses nesta tentativa.

Outra tradição completamente diferente chega-nos por Diodoro da Sicília, em que os atlantes eram vizinhos dos líbios e que teriam sido atacados e destruídos pelas amazonas.

Segundo uma outra lenda, o povo que habitava a Atlântida era muito mais evoluído que os outros povos da época, e, ao prever a destruição iminente, teria emigrado para África, sendo os antigos egípcios descendentes da cultura de Atlântida.
Na cultura pop do século XX, muitas histórias em quadrinhos, filmes e desenhos animados retratam Atlântida como uma cidade submersa, povoada por sereias ou outros tipos de humanos subaquáticos.

Localizações atribuídas - Há diversas correntes de teóricos sobre onde se situaria Atlântida, e quem seria o seu povo. A lenda que postula Atlântida, Lemúria e Mu como continentes perdidos, ocupados por diferentes raças humanas, ainda encontra bastante aceitação popular, sobretudo no meio esotérico. (Não confundir com os antigos continentes que, de acordo com a teoria da tectónica de placas existiram durante a história da Terra, como a Pangéia e o Sahul). Alguns teóricos sugerem que Atlântida seria uma ilha sobre a Dorsal oceânica, que - no caso de não ser hoje parte dos Açores, Madeira, Canárias ou Cabo Verde - teria sido destruída por movimentos bruscos da crosta terrestre naquele local. Essa teoria baseia-se em supostas coincidências, como a construção de templos em forma de pirâmide na América, semelhantes às pirâmides do Egito, fato que poderia ser explicado com a existência de um povo no meio do oceano que separa estas civilizações, suficientemente avançado tecnologicamente para navegar à África e à América para dividir seus conhecimentos. Esta posição geográfica explicaria a ausência concreta de vestígios arqueológicos sobre este povo.

Alguns estudiosos dos escritos de Platão acreditam que o continente de Atlântida seria na realidade a própria América, e seu povo culturalmente avançado e cobertos de riquezas seria ou o povo Chavín, da Cordilheira dos Andes, ou os olmecas da América Central, cujo uso de ouro e pedras preciosas é confirmado pelos registros arqueológicos. Terremotos, comuns nestas regiões, poderiam ter dado fim a estas culturas, ou pelo menos poderiam tê-las abalado de forma violenta por um período de tempo. Através de diversos estudos, alguns estudiosos chegaram a conclusão que Tiwanaku, localizada no altiplano boliviano, seria a antiga Atlântida. Essa civilização teria existido de 17.000 a.C. a 12.000 a.C., em uma época que a região era navegável. Foram encontrados portos de embarcações em Tiwanaku, faltando escavar 97,5% do local.

Para alguns arqueólogos e historiadores, Atlântida poderia ser uma mitificação da cultura minóica, que floresceu na ilha de Creta até o final do século XVI a.C.. Os ancestrais dos gregos, os micênicos, tiveram, no início de seu desenvolvimento na Península Balcânica, contato com essa civilização, culturalmente e tecnologicamente muito avançada. Com os minóicos, os micênicos aprenderam arquitetura, navegação e o cultivo de oliveiras, elementos vitais da cultura helênica posterior. No entanto, dois fortes terremotos e maremotos no Mar Egeu solaparam as cidades e os portos minóicos, e a civilização de Creta rapidamente desapareceu. É possível que as histórias sobre este povo tenham ganhado proporções míticas ao longo dos séculos, culminando com o conto de Platão.

Uma formulação moderna da história da Atlântida e dos atlantes foi feita por Helena Petrovna Blavatsky, fundadora da Teosofia. Em seu principal livro, A Doutrina Secreta, ela descreve em detalhes a raça atlante, seu continente e sua cultura, ciência e religião.

Existem alguns cientistas que remetem a localização da Atlântida para um local sob a superfície da Antártica.

A história antiga da humanidade em grande parte se constitui um enigma, enigma esse devido à ignorância das pessoas que a escreveram e dataram certos eventos. Podemos perceber isto tendo em vista, por exemplo, o que dizem a respeito da esfinge, pois atualmente estudos provam que ela data de 12.000 a.C. a 10.500 a.C., enquanto que a história que divulgam datam-na de apenas de 4.000 a.C.

Uma outra indagação que deve ser feita diz respeito à distribuição de pirâmides no mundo. Elas são encontradas não somente no Egito, mas também na China e na América Central, mostrando a interligação dessas culturas no passado. O que interliga todas essas civilizações antigas? A única resposta que melhor responde a essas perguntas, e outras a respeito do mundo antigo, é a existência da Atlântida.

A primeira fonte de informação que chegou ao mundo moderno é sem dúvida os escritos de Platão. Foi ele quem primeiro falou da existência de uma ilha então submersa à qual foi dado o nome de Atlântida. Platão tomou conhecimento da Atlântida através de Sólon, que, por sua vez lhe foi referido por pelos sacerdotes egípcios, num dos templos da cidade egípcia de Saís.

Na verdade a Atlântida data de pelo menos 100.000 a.C., então constituindo não uma ilha e sim um imenso continente que se estendia desde a Groelândia até o Norte do Brasil. Sabe-se que os atlantes chegaram a conviver com os lemúrios, que viviam num continente no Oceano Pacifico aproximadamente onde hoje se situa o Continente Australiano. Naquele continente Atlante havia muitos terremotos e vulcões e foi isto a causa de duas das três destruições que acabaram por submergi-lo . A terceira destruição não foi determinada por causas naturais. Na primeira destruição, em torno de 50.000a.C. várias ilhas que ficavam junto do continente atlante afundaram, como também a parte norte do continente que ficava próximo a Groelândia, em decorrência da ação dos vulcões e terremotos. A segunda destruição, motivada pela mudança do eixo da Terra, ocorreu em torno de 28.000 a.C., quando grande parte do continente afundou, restando algumas ilhas, das quais uma que conectava o continente Atlante à América do Norte. E a terceira foi exatamente esta onde floresceu a civilização citada por Platão e que por fim foi extinta, em uma só noite, afundando-se no mar restando apenas as partes mais elevadas que hoje corresponde aos Açores descrita por Platão.

Para se estudar bem a Atlântida deve-se considerar que esse nome diz respeito a três civilizações distintas, pois em cada uma das destruições os que restaram tiveram que recomeçar tudo do início.

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ATLÂNTIDA: "AS TRÊS CIVILIZAÇÕES"















Atlântida 100.000 a.C. a 50.000 a.C.

Sobre a Atlântida antes da primeira destruição (antes de 50.000 a.C.) pouco se sabe. Diz-se haver sido colonizada pelos lemurios que haviam fugido do continente onde habitavam, também sujeito a cataclismos imensos, quando então se estabeleceram correntes migratórias fugitivas das destruições que ocorriam na Lemúria, algumas delas dirigiram-se para o Sul Atlântida.
Estes primeiros Atlantes julgavam a si pelo caráter e não pelo que tinham e viviam em harmonia com a natureza. Pode-se dizer que 50% de suas vidas era voltada ao espiritual e os outros 50% para o lado prático, vida material. Possuíam grandes poderes mentais o que lhes conferia domínio da mente sobre o corpo. Eles faziam coisas impressionantes com os seus corpos. Assim viveram por muito tempo até que, em decorrência da proximidade do sul da Atlântida com o Continente Africano, várias tribos agressivas africanas dirigiram-se para a Atlântida forçando os Lemurios estabelecidos na Atlântida a se deslocarem cada vez mais para o norte do continente atlante. Com o transcorrer do tempo os genes dos dois grupos foram se misturando.

Em 52.000 a.C. os Atlantes começaram a sofrer com ataques de animais ferozes, o que os fizeram aumentar seus conhecimentos em armas, motivando um avanço tecnológico na Atlântida. Novos métodos de agricultura foram implementados, a educação expandiu, e conseqüentemente bens materiais começaram a assumir um grande valor na vida das pessoas, que começaram a ficar cada vez mais materialistas e conseqüentemente os valores psíquicos e espirituais foram decaindo. Uma das conseqüências foi que a maioria dos atlantes foi perdendo a capacidade de clarividência e suas habilidades intuitivas por falta de treinamento e uso, a ponto de começarem a desacreditar na mencionadas habilidades.

Edgar Cayce afirma que dois grupos diversos tiveram grande poder nessa época, um deles chamados de "Os Filhos de Belial". Estes trabalhavam pelo prazer, tinham grandes posses, mas eram espiritualmente imorais. Um outro grupo chamado de "As Crianças da Lei Um", era constituído por pessoas que invocavam o amor e praticavam a reza e a meditação juntas, esperando promover o conhecimento divino. Eles se chamavam "As Crianças da Lei Um" porque acreditavam em Uma Religião, Um Estado, Uma Casa e Um Deus, ou melhor, que Tudo é Um. Logo após essa divisão da civilização atlante, foi que ocorreu a primeira destruição da Atlântida, ocasião em que grande número de imensos vulcões entraram em erupção. Então uma parte do povo foi para a África onde o clima era muito favorável e possuíam muitos animais que podiam servir como fonte de alimentação. Ali os descendentes dos atlantes viveram bem e se tornaram caçadores. A outra parte direcionou-se para a América do Sul onde se estabeleceu na região onde hoje é a Bacia Amazônica. Biologicamente os atlantes do grupo que foi para a América do Sul começaram a se degenerar por só se alimentarem de carne pensando que com isso iriam obter a força do animal, quando na verdade o que aconteceu foi uma progressiva perda das habilidades psíquicas. Assim viveram os descendentes atlantes até que encontraram um povo chamado Ohlm, remanescentes dos descendentes da Lemúria, que os acolheram e ensinaram-lhes novas técnicas de mineração e agricultura.

As duas partes que fugiram da Atlântida floresceram muito mais do que aquela que permanecera no continente, pois em decorrência da tremenda destruição os remanescentes praticamente passaram a viver como animais vivendo nas montanhas durante 4.000 anos, após o que começaram a estabelecer uma nova civilização.

Os atlantes que estabeleceram uma nova civilização na Atlântida começaram de forma muito parecida com o inicio da colonização que os Lemurios fizeram na Atlântida. Eles se voltaram a trabalhar com a natureza e nisso passaram milhares de anos, mas com o avanço cientifico e tecnológico também começaram a ficar cada vez mais agressivos, materialistas e decadentes. Os tecnocratas viviam interessados em bens materiais e desrespeitando a religião. A mulher se tornou objeto do prazer; crimes e assassinatos prevaleciam, os sacerdotes e sacerdotisas praticavam o sacrifício humano. Os atlantes se tornaram uma civilização guerreira. Alguns artistas atlantes insatisfeitos fugiram para costa da Espanha e para o sudoeste da França, onde até hoje se vêem algumas de suas artes esculpidas nas cavernas. Em 28.000 a.C. com a mudança do eixo da Terra, os vulcões novamente entraram em grande atividade acabando por acarretar o fim da segunda civilização atlante. Com isso novamente os atlantes fugiram para as Antilhas, Yucatã, e para a América do Sul.



















Atlântida 28.000a.C. a 12.500 a.C. - Esta foi a civilização atlante que foi descrita por Platão.

Mais uma vez tudo se repetiu, os que ficaram recomeçaram tudo novamente, recriando as cidades que haviam sido destruídas, mas inicialmente não tentando cometer os mesmos erros da florescente civilização passada. Eles unificaram a ciência com o desenvolvimento espiritual a fim de haver um melhor controle sobre o desenvolvimento social.

Começaram a trabalhar com as Forças da Natureza, tinham conhecimento das hoje chamadas linhas de Hartman e linhas Ley, que cruzam toda a Terra, algo que posteriormente veio a ser muito utilizado pelos celtas que construíram os menires e outras edificações em pedra. Vale salientar que eles acabaram por possuir um alto conhecimento sobre a ciência dos cristais, que usavam para múltiplos fins, mas basicamente como grandes potencializadores energéticos, e fonte de registro de informações, devido a grande potência que o cristal tem de gravar as coisas.

Os Atlantes tinham grande conhecimento da engenharia genética, o que os levou a tentar criar “raças puras”, raças que não possuíssem nenhum defeito. Esse pensamento persistiu até o século XX a ser uma das bases do nazismo.

Os Atlantes detinham grandes conhecimentos sobre as pirâmides, há quem diga que elas foram edificadas a partir desta civilização e que eram usadas como grandes condutores e receptores de energia sideral, o que, entre outros efeitos, fazia com que uma pessoa que se encontrasse dentro delas, especialmente a Grande Pirâmide, entrava em estado alterado de consciência quando então o sentido de espaço-tempo se alterava totalmente.

É certo que os habitantes da Atlântida possuíam um certo desenvolvimento das faculdades psíquicas, entre as quais a telepatia, embora que muito aquém do nível atingido pelos habitantes da primeira civilização.

Construíram aeroplanos, mas nada muito desenvolvido, algo que se assemelharia mais ao que é hoje é conhecido como “asa delta”. Isto tem sido confirmado através de gravuras em certos hieróglifos egípcios e maias.

Também em certa fase do seu desenvolvimento os atlantes foram grandes conhecedores da energia lunar, tanto que faziam experiências muito precisas de conformidade com a fase da Lua. A par disto foram grandes conhecedores da astronomia em geral.
Na verdade os atlantes detiveram grandes poderes, mas como o poder denigre o caráter daquele que não esta devidamente preparado para possuí-lo, então a civilização começou a ruir. Eles começaram a separar o desenvolvimento espiritual do desenvolvimento científico. Sabedores da manipulação dos gens eles desenvolveram a engenharia genética especialmente visando criar raças puras. Isto ainda hoje se faz sentir em muitos povos através de sistemas de castas, de raça eleita ou de raça ariana pura. Em busca do aperfeiçoamento racial, como é da natureza humana o querer sempre mais os cientistas atlantes tentaram desenvolver certos sentidos humanos mediante gens de espécies animais detentoras de determinadas capacidades. Tentaram que a raça tivesse a acuidade visual da águia, e assim combinaram gens deste animal com gens humano; aprimorar o olfato através de gens de lobos, e assim por diante. Mas na verdade o que aconteceu foi o pior, aqueles experimentos não deram certo e ao invés de aperfeiçoarem seus sentidos acabaram criando bestas-feras, onde algumas são encontradas na mitologia grega e em outras mitologias e lendas. Ainda no campo da engenharia genética criaram algumas doenças que ainda hoje assolam a humanidade.

A moral começou a ruir rapidamente e o materialismo começou a crescer. Começaram a guerrear. Entre estas foi citada uma que houve com a Grécia, da qual esta foi vitoriosa. Enganam-se os que pensam que a Grécia vem de 2 000 a.C. Ela é muito mais velha do que o Egito e isto foi afirmado a Sólon pelo sacerdote de Sais. Muitos atlantes partiram para onde hoje é a Grécia e com o uso a tecnologia que detinham se fizeram passar por deuses dando origem assim a mitologia grega, ou seja, constituindo-se nos deuses do Olimpio.

Por último os atlantes começaram a fazer experimentos com displicência de forma totalmente irresponsável com cristais e como conseqüência acabaram canalizando uma força cósmica, que denominaram de "Vril", sob as quais não tiveram condições de controla-la, resultando disso a destruição final da Atlântida, que submergiu em uma noite. Para acreditar que um continente tenha submergido em uma noite não é muito fácil, mas temos que ver que a tecnologia deles eram muito mais avançadas do que a nossa, e que o poder do cristal é muito maior do que imaginamos, pois se formos vê os cristais estão em tudo com o avanço tecnológico, um computador é formado basicamente de cristais e o laser é feito a parti de cristais. Mas antes da catástrofe final os Sábios e Sacerdotes atlantes, juntamente com muitos seguidores, cientes do que adviria daquela ciência desenfreada e conseqüentemente que os dias daquela civilização estavam contados, partiram de lá, foram para vários pontos do mundo, mas principalmente para três regiões distintas: O nordeste da África onde deram origem a civilização egípcia; para América Central, onde deram origem a Civilização Maia; e para o noroeste da Europa, onde bem mais tarde na Bretanha deram origem à Civilização Celta.

A corrente que deu origem a civilização egípcia inicialmente teve muito cuidado com a transmissão dos ensinamentos científicos a fim de evitar que a ciência fora de controle pudesse vir a reeditar a catástrofe anterior. Para o exercício desse controle eles criaram as “Escolas de Mistérios”, onde os ensinamentos eram velados, somente sendo transmitidos às pessoas que primeiramente passassem por rigorosos testes de fidelidade.


















Os atlantes levaram com eles grandes conhecimentos sobre construção de pirâmides, e sobre a utilização prática de cristais, assim como conhecimentos elevados de outros ramos científicos, como matemática, geometria, etc. Pesquisas recentes datam a Esfinge de Gizé sendo de no mínimo 10.000 a.C. e não 4.000a.C. como a egiptologia clássica afirma. Edgar Cayce afirmou que embaixo da esfinge existe uma sala na qual estão guardados documentos sobre a Atlântida, atualmente já encontraram uma porta que leva para uma sala que fica abaixo da esfinge, mas ainda não entraram nela. A Ordem Hermética afirma a existência não de uma sala, mas sim de doze.

A corrente que deu origem a civilização maia, foi muito parecida com a corrente que deu origem a civilização egípcia. Quando os atlantes que migraram para a Península de Yucatã antes do afundamento final do continente, eles encontraram lá povos que tinham culturas parecidas com a deles, o que não é de admirar, pois na verdade lá foi um dos pontos para onde já haviam migrado atlantes fugitivos da segunda destruição.

Também os integrantes da corrente que se direcionou para o Noroeste da Europa, e que deu origem mais tarde aos celtas, tiveram muito cuidado com a transmissão do conhecimento em geral. Em vez de optarem para o ensino controlado pelas “Escolas de Mistérios” como acontecera no Egito, eles optaram por crescer o mínimo possível tecnologicamente, mas dando ênfase especialmente os conhecimentos sobre as Forças da Natureza, sobre as energias telúricas, sobres os princípios que regem o desenvolvimento da produtividade da terra. Conheciam bem a ciência dos cristais, e da magia, mas devido ao medo de fazerem mau uso dessas ciências eles somente utilizavam-nos, mas no sentido do desenvolvimento da agricultura, da produtividade dos animais de criação, etc.

Atualmente as pessoas vêem a Atlântida como uma lenda fascinante, como algo que mesmo datando de longa data ainda assim continua prendendo tanto a atenção das pessoas. Indaga-se do porquê de tanto fascínio? Acontece que ao se analisar a história antiga da humanidade vê-se que há uma lacuna, um hiato, que falta uma peça que complete toda essa história. Muitos estudiosos tentam esconder a verdade com medo de ter que reescrever toda a história antiga, rever conceitos oficialmente aceitos. Mas eles não explicam como foram construídas as pirâmides, como existiram inúmeros artefatos e achados arqueológicos encontrados na Ásia, África e América e inter-relacionados. O como foram construídos as pirâmides e outros monumentos até hoje é um enigma. Os menires encontrados na Europa, as obras megalíticas existentes em vários pontos da terra, os desenhos e figuras representativas de aparelhos e até mesmo de técnicas avançadas de várias ciências, os autores oficiais não dão qualquer explicação plausível.

Os historiadores não acreditam que um continente possa haver afundado em uma noite, mas eles esquecem que aquela civilização foi muito mais avançada que a nossa. Foram encontradas, na década de 60, ruínas de uma civilização no fundo do mar perto dos Açores, onde foram encontrados vestígios de colunas gregas e até mesmo um barco fenício. Atualmente foram encontradas ruínas de uma civilização que também afundou perto da China.

As pessoas têm que se conscientizar de que em todas as civilizações em que a moral ruiu, ela começou a se extinguir, e atualmente vemos isso na nossa civilização, e o que é pior, na nossa civilização ela tem abrangência mundial, logo se ela rui, vai decair todo o mundo. Então o mais importante nessa história da Atlântida não é o acreditar que ela existiu e sim aprender a lição para nós não enveredemos pelo mesmo caminho, repetindo o que lá aconteceu.






ATLÂNTIDA: "ONTEM E HOJE"

























A História antiga da humanidade contém algumas lacunas envoltas em mistérios e enigmas ainda não desvendados. Enigmas que despertam no homem contemporâneo uma busca incessante pela sua verdadeira origem e por sua real História! Quem não se sente interessado, curioso ou até mesmo fascinado com o avanço técnico contido na Grande Pirâmide de Quéops, os Moais da Ilha de Páscoa, a construção de Macchu Picchu e a avançada cultura Inca, as Pirâmides Astecas, os complexos Maias e seu perfeito calendário, a arte e eloqüência Grega, os menires Celtas e a Grande sabedoria Veda, somente para citar alguns exemplos?
Um estudo mais aprofundado nos leva a um lugar comum onde a ciência oficial ainda teima em negar (embora os menos ortodoxos admitam claramente) a teoria - para muitos, realidade - do Continente chamado Atlântida, berço da Quarta Raça Raiz!
O continente Atlante situava-se no Atlântico Norte, indo desde a costa da atual Flórida (USA) até as ilhas Canárias e os Açores. Sua cultura era muito avançada. Em muitos pontos, ultrapassava a nossa com facilidade. Oriunda de um aperfeiçoamento e emigração dos remanescentes da Terceira Raça Raiz (Lemuriana), a raça Atlante alcançou rapidamente um patamar elevado em conhecimentos e tecnologia. Esta tecnologia diferia muito da atual em termos de padrão de frequência vibracional. Estava diretamente relacionada com as forças da Natureza e continha aspectos energéticos (metafísicos e radiônicos) e até espirituais unidos numa só Ciência (conceito praticamente impossível de ser aceito e assimilado pela "Ciência" atual).
A raça atlante possuía um desenvolvimento bastante avançado das faculdades ditas paranormais, existindo uma "ligação direta" com outras realidades dimensionais. O conhecimento das Grandes Verdades Cósmicas era aberto, não existindo nada absolutamente velado. Mantinham intercâmbio com culturas provenientes de várias regiões do espaço (civilizações extraterrestres) e com os Seres das Hierarquias do Governo Oculto Espiritual do Planeta. Acredita-se que a tecnologia de construção e manipulação de energias das estruturas piramidais seja de origem extraterrestre, transmitida aos Atlantes , tais como as Pirâmides do Egito e do México (apenas réplicas dos originais atlantes).

Na região conhecida como "Triângulo das Bermudas" existe um vórtice de energia espaço-temporal, gerado possivelmente pela Grande Pirâmide Atlante submersa ali. Neste local, além de outros fenômenos tais como a já rotineira alteração da leitura dos instrumentos de navegação, registram-se também muitas aparições ufológicas. Aliás, os atlantes dominavam máquinas voadoras que pousavam em qualquer parte do planeta, principalmente nas "Pistas de Nazca" no Peru.

Foram encontrados no Egito e, principalmente na cultura Inca, caracteres hieroglíficos e objetos que lembram aeronaves, algumas apresentando as asas em delta! Tais objetos foram testados em túneis de vento, apresentando um comportamento aerodinâmico perfeito!



Os "computadores" atlantes eram os próprios cristais de quartzo, utilizados principalmente como armazenamento de conhecimentos e acionados por poder mental (são os cristais "arquivistas" tão conhecidos dos cristaloterapeutas).
O domínio dos cristais, juntamente com a manipulação de aparelhos radiônicos (a hoje conhecida "pilha cósmica" dos radiestesistas - um conjunto de semi-esferas sobrepostas - foi muito utilizada na Atlântida como arma de grande poder), era um dos pontos fortes de seu conhecimento, uma vez que, aliado a um grande poder mental, era gerado um formidável potencial energético altamente positivo quando bem direcionado, assim como incrivelmente devastador quando errônea e maleficamente utilizado.

Houve um declínio dos padrões éticos, morais etc. que gerou estados vibratórios bastante densos. Aliás, este foi um dos principais (senão o principal) motivos do desaparecimento da civilização das Sete Portas de Ouro, que também fazia uso de tecnologia nuclear. A situação chegou a um estado crítico quando ocorreu a manipulação indiscriminada da engenharia genética, gerando verdadeiras aberrações, conhecidas hoje como os seres mitológicos de algumas culturas, tais como os Titãs da Mitologia Grega. Os Sábios e Sacerdotes Atlantes, prevendo a destruição, emigraram juntamente com os genuínos da Raça para outros pontos da Terra, levando consigo seus vastos poderes e conhecimentos que desde então têm sido passados de boca para ouvido pelos Iniciados, nas "Escolas de Mistério", a fim de que não caiam em mãos dos adeptos do "Caminho da Mão Esquerda" e outros irresponsáveis. Os lugares que já eram Colônias, tais como o Egito, pequena parte da Índia, América Central e do Sul, floresceram rapidamente com a chegada dos Sábios, assessorados por ET's. A principal Colônia, salvaguarda até os dias de hoje, grande parte dos conhecimentos poderosos num local muito bem guardado abaixo da Esfinge e das Pirâmides (construídas pelos atlantes sob supervisão extraterrestre) e em outros Templos ao longo do Nilo, no Egito. Tais "documentos" (os papiros sagrados de Toth) estão prestes a serem descobertos, segundo Edgar Cayce, famoso e conceituado paranormal norte-americano, que vislumbrou em visões tal fato, ainda na primeira metade deste século. Atualmente, descobertas formidáveis têm sido feitas no Egito pelos arqueólogos, constatando novas pirâmides e até um gigantesco Templo (ou palácio).

Oficialmente, admite-se hoje que, provavelmente cerca de 55% do Antigo Egito ainda está sob as areias do Deserto e do tempo! E se há muito que desvendar, a hipótese da existência e conseqüente descoberta dos "documentos atlantes", ao contrário de absurda, como ainda teimam alguns céticos, é bastante previsível e até, concreta. Que dizer então das ainda mais enigmáticas civilizações Pré-Colombianas, das quais se conhece muito pouco? Que segredos encerram? E as civilizações da Amazônia? Que escondem as autoridades científicas e governamentais das potências mundiais sobre tais assuntos, num procedimento semelhante ao adotado no fenômeno UFO? Porque existe uma incidência cada vez maior de aparições ufológicas em tais locais?

Associa-se a estes fatores, segundo estudiosos ocultistas, à passagem de um astro de grandes proporções com frequência vibratória baixa, com uma excentricidade de órbita bastante acentuada, passando pelas circunvizinhanças do Sol num período que se encurta cada vez mais. Sua última passagem ocorreu a aproximadamente 6.666 anos (o nº da Besta?) sendo o provável co-responsável pela separação do continente em três grandes ilhas e sua posterior submersão, uma a cada passagem, até a última, Poseidonis (revelada a Platão pelos Sacerdotes de Tebas, no Egito). Tal astro é mencionado exaustivamente pelos atuais espiritualistas pela sua importância no momento de "Transição de Eras" que o Planeta atravessa. A NASA, Agência Espacial Americana, confirmou uma perturbação considerável nas órbitas dos planetas exteriores (Urano, Netuno e Plutão) descoberta no início dos anos setenta. "Esta perturbação de natureza gravitacional", sugere a NASA, "é provavelmente causada por algum corpo não identificado e de proporções consideráveis". Acredita-se que atualmente, final dos anos noventa, sua posição seja bem mais próxima do Sol (embora a ciência negue a existência de tal corpo celeste). Embora as conjecturas apresentadas não sejam suficientes para provar a existência da Atlântida e sua cultura (a qual originou nossa 5º Raça Raiz, Ariana), elas são fortes em seu conteúdo e estão presentes nas tradições milenares de antigas civilizações e nos seus registros tais como os egípcios, vedas, e atuais tibetanos além das Escolas esotéricas, ocultistas e teosóficas e suas eminências, como Helena P. Blavatsky, que estudou e divulgou amplamente o tema.

Chegamos finalmente a um atual "momentum vibracional" evolutivo planetário, muito parecido com o que existia em terras Atlantes na ocasião sua decadência, tanto em termos da baixa energia referente a dor, sofrimento, violência, moral, geradas pela humanidade, como aspectos cósmicos e fenômenos de natureza extraterrestre. Um novo Salto Evolutivo está às nossas portas. Um novo Céu, uma nova Terra e uma nova Jerusalém! Quem sabe uma nova e melhor Atlântida?




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